Na Grécia antiga, a partir do século VII a.C., houve um fenômeno de proporções significativas que alcançou os dias atuais. Trata-se do surgimento da Filosofia como mecanismo de construção do conhecimento baseado na razão. Dentre as várias discussões, que iam da composição do Cosmo até a virtude moral do Ser Humano, destaca-se a criação de um método, por parte de Sócrates, que propunha o caminho do conhecimento rumo à verdade.
Assinale a alternativa que mostra a estrutura proposta por este método socrático.
A percepção dos conflitos como base do grande desafio, ou seja, o alcance da verdade residente no interior do indivíduo. Este método ficou conhecido como dialética e polemou.
A construção do conhecimento pela sondagem e observação dos fenômenos comportamentais dos indivíduos. Este método ficou conhecido como empiria e ereyna.
A negação da realidade e a busca da retórica convincente, fazendo com que a narrativa fosse determinante. Este método ficou conhecido como homilia e afegese.
A refutação do senso comum para que o verdadeiro conhecimento, que residia no interior do indivíduo, viesse à tona. Este método ficou conhecido como ironia e maiêutica.
A confirmação do ceticismo por meio da negação de qualquer possibilidade de se conhecer o universo ao redor. Este método ficou conhecido como skeptico e agnosto.
Por que a identificação de contradições é importante no método socrático?
Pois o principal objetivo desse método é criar desordem e confusão através da exposição de inconsistências nos argumentos dos interlocutores.
Não é particularmente importante no método socrático; é apenas um elemento superficial que Sócrates usava para desafiar seus interlocutores.
Porque fornece um meio de vencer debates e derrotar oponentes em discussões, que é o objetivo final do método socrático.
Porque permite aos interlocutores evitar a incoerência, uma vez que a verdade não pode ser contraditória. Essa técnica ajuda na identificação e correção de erros de raciocínio.
Porque dá ao interlocutor a oportunidade de corrigir suas opiniões e alcançar uma conclusão absoluta ao final do diálogo que não pode ser refutada.
Laques — Isso, por Zeus, não é difícil de explicar. Como sabes, homem de coragem é o que se decide a não abandonar o seu posto no campo de batalha, a fazer face ao inimigo e a não fugir.
Sócrates — Muito bem, Laques. Mas talvez eu não tenha me expressado com muita clareza, pois não respondeu ao que eu tinha intenção de perguntar, porém outra coisa.
Laques — Como assim, Sócrates?
Sócrates — Vou te explicar. Conforme disse, o indivíduo corajoso é o que se mantém no seu posto e luta com o inimigo?
Laques — Foi o que eu disse, de fato.
Sócrates — Mas o que diríamos ao indivíduo que, sem ficar no seu posto, combate com o inimigo, fugindo?
Laques — Como? Fugindo?
Sócrates — Como dos citas se relata, que combatem quando fogem do inimigo tanto quando os perseguem. Homero, também, elogia os cavalos de Enéias, que tão rápidos correm, diz ele, quer quando fogem, quer no encalço do inimigo ligeiro.
Laques — E com toda a razão, Sócrates, pois referia-se a carros de combate, tal como o fizeste a respeito da cavalaria cita; pois é assim, de fato, que os cavaleiros citas combatem, enquanto a infantaria helênica o faz da maneira que eu disse.
Qual elemento do método socrático é possível identificar nesse trecho do diálogo entre Sócrates e Laques?
Sócrates está expondo as contradições na definição de coragem de Laques, ao questionar sobre a existência de indivíduos que combatem o inimigo enquanto fogem.
Sócrates está discutindo, como de costume, sobre questões políticas, ao fazer com o que diálogo com Laques gire em torno da guerra.
Sócrates e Laques estão em uma aporia, como demonstrado na pergunta "Mas o que diríamos ao indivíduo que, sem ficar no seu posto, combate com o inimigo, fugindo?".
Sócrates está utilizando a ironia ao expressar "talvez eu não tenha me expressado com muita clareza", como uma forma de questionar a definição de coragem de Laques.
Críton — Então me diz o que pensa sobre o que falei anteriormente, se concorda ou não que há boas razões para sua fuga.
Sócrates — Bem, pensa o seguinte. Eu não estaria destruindo a cidade ao fugir? Pois como uma cidade continuaria existindo se as sentenças anunciadas nos tribunais pudessem violadas por qualquer pessoa?
Críton — Parece ter razão nesse ponto, Sócrates.
Sócrates — E também penso mais. Olha só. Não devemos tentar acabar com as leis só porque pensamos sofrer uma injustiça. É nosso dever obedecer todas as leis, em qualquer situação, ou tentar mudá-las por meio do processo legal. Pois qualquer pessoa pode ser contra as leis e propor que elas sejam alteradas.
Críton — Não tenho como discordar do que diz, Sócrates.
Sócrates — Me ocorre ainda outro ponto, Críton. Devemos obediência às leis de nossa cidade porque foi, de certa forma, ela que nos educou, nos alimentou, proporcionou uma série de benefícios, como a segurança. Além disso, caso a pessoa não goste da cidade, pode, a qualquer momento, deixá—la e ir viver em outra, onde lhe agrade. Se a pessoa não vai embora, temos que concluir que, implicitamente, ela concorda e aceita as leis existentes e aceita cumprí-las. Então, não devo, agora que me prejudicaram, discordar do que até hoje concordei. Porque sempre gostei da cidade de Atenas e nunca pensei em ir embora. O que pensa Críton, poderia discordar disso?
Críton — Não, Sócrates.
No diálogo entre Sócrates e Críton, quais são as principais razões apresentadas por Sócrates para não fugir da prisão?
Sócrates não deseja fugir porque acredita que sua condenação é justa e que deve pagar pelos crimes que cometeu. Ele argumenta que a fuga seria uma forma de evadir a responsabilidade.
Sócrates decide não fugir porque teme que a fuga manche sua reputação como filósofo e líder, diminuindo a força de suas ideias e ensinamentos.
Sócrates acredita que, se fugir, colocará sua vida em risco, pois as autoridades perseguirão um fugitivo da lei. Ele também teme as consequências para seus amigos e família, que podem ser considerados cúmplices.
Sócrates acredita que fugir seria uma violação direta das sentenças de tribunal, o que minaria a existência da própria cidade. Além disso, ele insiste na obediência às leis, mesmo que pareçam injustas, e defende que as mudanças devem ocorrer por meios legais.
Por que questões éticas e morais eram de particular interesse para Sócrates? Como isso é evidenciado no diálogo "Laques"?
Sócrates se preocupava com questões éticas e morais porque queria ganhar influência política. No diálogo "Laques", Sócrates busca convencer Laques, um general influente em Atenas, a seguir seu conselho político.
Sócrates focava em questões éticas e morais porque acreditava que a filosofia deveria ser usada para validar crenças religiosas. No diálogo "Laques", Sócrates tenta provar a existência dos deuses.
Sócrates se interessava por questões éticas e morais porque queria confrontar os costumes tradicionais. No diálogo "Laques", Sócrates desafia os valores da sociedade ateniense, que valoriza a coragem em função das guerras em que se envolvia.
Sócrates se preocupava com questões éticas porque acreditava que a sabedoria era fundamental para a boa vida. No diálogo "Laques", Sócrates explora o conceito de coragem, para entender como agir bem.
Sócrates se interessava por questões éticas e morais porque queria se auto-promover como um filósofo moral. No diálogo "Laques", Sócrates utiliza argumentos morais para fazer Laques concordar com ele.
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